terça-feira, 28 de julho de 2009

Ídolos: Década de 60 e 70

Dirceu Lopes
Foram muitos anos de espera, sem títulos nem ídolos, até que surgiu o sucessor de Abelardo, o Flecha Azul: Dirceu Lopes Mendes, o pequeno diabo que infernizou os adversários no Campeonato Juvenil do inicio da década de 60.

Ele começou a exibir seu futebol aos profissionais do Cruzeiro a partir de 1964 e se transformou logo no grande ídolo do time com seus dribles secos, sua velocidade e a maneira de comemorar os seguidos gols com um soco no ar, à moda Pelé.
Apesar de baixinho - Piazza só o chama assim, Baixinho -, nem os beques grandões conseguiam marcá-lo ou acertá-lo facilmente. Dirceu era rápido demais, pensava na frente de todos e executava as jogadas como um relâmpago. Pelé , grande admirador de seu futebol, foi quem pediu sua convocação para a Seleção Brasileira , aos 20 anos.
Dirceu formou com Tostão e Piazza o grande tripé da época mais gloriosa do Cruzeiro: os anos 60. Jamais houve um meio-campo tão eficiente como este do futebol mineiro, em qualquer época. Dirceu era o complemento perfeito para o gênio Tostão e a combatividade de Piazza. No time profissional, foi nove vezes campeão mineiro além de campeão da Taça Brasil (Campeonato Brasileiro).Titular absoluto de todas as seleções mineiras formadas a partir de 1964 os cronistas o elegeram doze vezes "melhor jogador do ano" , e a revista Placar leh deu três Bolas de Prata como melhor da posição no Campeonato Brasileiro.
Em 1975, sofreu uma grande contusão no calcanhar, rompendo o tendão de Aquiles, e ficou parado por treze meses. Aos 30 anos voltou a jogar e ganhou passe livre. Foi para o Fluminense e, depois, para o Uberlândia, e aí encerrou a carreira.Clubes : Vitória (BA); Cruzeiro (MG); Corinthians (SP).


Evaldo
Evaldo Cruz. Nasceu em Campos dos Goitacazes-RJ, em 1945. Começou sua carreira no infantil do Americano-RJ.Veio do Fluminense para o Cruzeiro, em março de 1966 para reforçar o time na campanha da Taça Brasil em que o Cruzeiro sagrou-se campeão invicto com Evaldo sendo o artilheiro com 7 gols.

Junto a Tostão, Dirceu Lopes, Hilton Oliveira e Piazza formou uma das maiores linhas de ataque da história do clube que se tornou famosa no Brasil inteiro na marchinha de carnaval composta pelo maestro Jadir Ambrósio que numa frase dizia: “...rápido e rasteiro como a linha do Cruzeiro!”

Ao todo fez 294 jogos com a camisa do Cruzeiro, entre 1966 e 1975 e marcou 111 gols. Como técnico começou sua carreira no Sport-JF, no início de 80. Também foi técnico do América e, após uma pausa para se dedicar aos negócios, voltou ao Cruzeiro, em 1994,para treinar os juvenis. Em 1996, foi técnico do Mamoré-MG, mas ainda vinculado ao Cruzeiro, no Campeonato Mineiro. Era técnico dos juniores do Atlético em 1997e comentarista de um programa de televisão.

Clubes : Americano-RJ (61); Fluminense (62 a 65); Cruzeiro (66 a 71); Esab (extinto), Marília-SP e Deportivo Itália, da Venezuela (77).

Títulos: Campeão Carioca (64) e Vice-Campeão Carioca (62), ambos pelo Fluminense; Campeão da Taça Brasil (66) e Tetra Campeão Mineiro de (66 a 69); Vice Campeão da Taça de Prata (69), todos pelo Cruzeiro.
Seleção Brasileira: Campeão Pan Americano de Juvenis em 1963.
Títulos como técnico: Campeão Mineiro de Juniores (97) e Taça Minas Gerais (98), ambos pelo Atlético.
Marcou 111 gols pelo Cruzeiro.


Jairzinho
O Furacão da Copa
Por Rodrigo Almeida, para GazetaEsportiva.net


Já estamos na 17ª Copa do Mundo e, até hoje, apenas um homem conseguiu marcar gols em todas as partidas de uma delas. Trata-se do brasileiro Jair Ventura Filho, o Jairzinho, que, com sete gols em seis jogos, ajudou o Brasil a conquistar o tricampeonato mundial em 1970.

Ao lado de craques que desfrutam, até os dias atuais, de maior reconhecimento, como Pelé, Rivelino, Gérson e Tostão, o camisa 7 brasileiro fez história ao marcar mais gols do que todos eles, e sair da Copa do Mundo com o apelido de "Furacão".

O matador é, também, um dos maiores craques da história de dois grandes clubes brasileiros: Botafogo e Cruzeiro.

Primeiros passos: No final da década de 50, a família Ventura trocou o município de Duque de Caxias pelo Rio de Janeiro. O endereço escolhido acabou influenciando no futuro de seu membro mais famoso. Morando na rua General Severiano, nada mais natural que o menino Jair começasse a freqüentar o Botafogo, que ficava ao lado de sua casa. Não demorou muito para que ele fizesse um teste nas categorias de base do Glorioso e começasse a defender as cores alvinegras.

O substituto: Em 1965, acabando de sair do juvenil, Jairzinho recebeu uma missão praticamente impossível: ser o substituto de Garrincha no Botafogo. No entanto, ao invés de tremer ou decepcionar, o garoto de 19 anos encheu os olhos dos torcedores. Com a mesma camisa 7 às costas, Jairzinho não mostrou o talento de Mané para os dribles desconcertantes, mas seus gols e suas arrancadas também deixaram seu nome na história do clube.

Se substituir Garrincha no Botafogo já não era tarefa para qualquer um, imagine então ser o substituto do craque na seleção brasileira. Pois foi exatamente o que aconteceu com Jairzinho, no mesmo ano em que estreara nos profissionais do Alvinegro. Mais uma vez, o faro para o gol não falhou e, em 1966, na Inglaterra, disputou sua primeira Copa do Mundo, aos 20 anos.

O Furacão: Mesmo após o fracasso brasileiro em 66, Jairzinho permaneceu com seu status inabalado. Na volta para o Botafogo, já usando a camisa 10, o craque levou o Glorioso ao bicampeonato estadual em 67 e 68. Em 1970, veio a consagração. O ponta direita foi um dos principais jogadores da melhor seleção brasileira na história das copas, e deixou o México com o apelido de Furacão, devido às suas arrancadas e chutes fulminantes. Além de Jairzinho, nunca, em todos os Mundiais, outro jogador conseguiu marcar gols em todas as partidas da competição.

Logo na estréia, contra a Tchecoslováquia, Jairzinho mostrou seu poder de fogo e balançou as redes duas vezes. Nos outros cinco jogos, Inglaterra, Romênia, Peru, Uruguai e Itália também foram alvos do Furacão, que marcou sete vezes na competição. A Taça do Mundo era nossa e o planeta inteiro reconhecia o futebol do craque.

A mudança de casa: Quatro anos após o Mundial do México, Jairzinho fez parte da seleção brasileira que ficou em quarto lugar na Copa da Alemanha e, logo em seguida, deixou o Botafogo. Depois de mais de dez anos defendendo as cores alvinegras, e sendo um dos maiores salários do futebol brasileiro na época, o Furacão trocou General Sevariano pela Europa, e foi jogar no Olympique de Marselha, da França, ao lado do também brasileiro Paulo César Caju, ex-companheiro de seleção e Botafogo.

A troca acabou não se tornando um bom negócio para Jairzinho e o craque disputou apenas uma temporada pelo time francês. Acusado de agredir um bandeirinha, o Furacão decidiu deixar o Olympique e retornar ao Brasil. A última conquista: Aos 31 anos e com o passe livre nas mãos, o craque assinou contrato com o Cruzeiro. Defendendo a Raposa, Jairzinho foi, mais uma vez, incomparável. Na época, ele já era um veterano, mas continuava dando trabalho aos zagueiros. Em 1976, o craque foi um dos principais nomes no título mais importante da história do time mineiro: a Taça Libertadores da América. Esta seria a última grande conquista do Furacão.


Joãozinho
Os franceses foram os primeiros a aplaudir de pé as diabruras daquele garoto que vestia a camisa 11 da Seleção Amadora do Brasil. Era Joãozinho, dono de uma habilidade incomum para conduzir a bola colocada ao pé direito, rente à grama, pronto para iludir o marcador com uma ginga de corpo e um drible inesperado.

Foi assim que ele apareceu no Mineirão em 1973, sucedendo a tantos pontas que marcaram época na equipe - Hílton Oliveira, Rodrigues e Lima. Ainda inexperiente, João Soares de Almeida Filho, mineiro de Belo Horizonte, ex-mecânico de automóveis, demorou a se firmar entre os profissionais. Mas, quando realizou uma sequência de jogos no time titular, nunca mais saiu; entrou para a galeria dos jogadores mais geniais que vestiram a camisa azul.

Suas atuações no Campeonato Brasileiro de 1975 levaram ao Cruzeiro à final. Em 1976, sua participação na campanha da Taça Libertadores da América foi antológica. Começou com um show de bola sobre o Internacional, no memorável jogo dos 5x4, no Mineirão. Em Lima, Peru jogou seu marcador ao chão três vezes numa mesma jogada - sem encostar nele, nem na bola. O público, admirado e incrédulo, só teve uma reação: levantou-se, jogou lenços e chapéus para o alto e aplaudiu Joãozinho. Na decisão da Taça, contra o River Plate, em Santiago do Chile, fez o gol da vitória num lance em que confirmou seu apelido - o Muleque da Toca: Nelinho preparava-se para bater uma falta, aos 42 minutos do segundo tempo, com o jogo 2x2 e, enquanto a barreira era formada, Joãozinho veio de trás e colocou a bola no canto: 3x2. Os argentinos, sem reação, só olharam para a camisa 11, correndo longe, socando o a ar , comemorando o gol do título.

Em 1981, sofreu uma grande fratura dupla exposta na perna direita, que o afastou dos campos por quase um ano. Demorou a se recuperar, esteve seis meses no Internacional de Porto Alegre e mais tarde voltou, para encantar a torcida celeste por mais um bom tempo.


Natal
Natal comecóu a carreira jogando pelo Itaú, da Cidade Idustrial, em Contagem. Quando tinha 13 anos, enfrentou o Cruzeiro em um festival de escolinhas. Para variar, ele acabou com o jogo: " Joguei muito naquele dia e fui convidado pelo Orlando Vassali para treinar no Barro Preto ".

Natal foi um jogador diferente,por seu genio brincalhão e descontraído.Em campo parecia transportar essa característica quando corria carregando a bola para a linha de fundo:os beques tentavam segurá-lo mas ele se livrava deles com facilidade,como se fosse uma brincadeira.

Jogador decisivo, ganhador, foi a sensação da Seleção Brasileira em 1968 e só não foi à Copa por causa de uma grave contusão na perna direita.Natal ganhou de Piorra na disputa pela camisa 7 por sua importância para o conjunto do Cruzeiro.

Natal garante que,quando o time da década de 1960 foi formado, eles não tinham noção de que estavam entrando para a história do Cruzeiro: "Nunca nos preocupamos muito com títulos.

Lembro que o Felício Brandi disse que, no início, não estava muito preocupado com resultados, mas de cara fomos campeões mineiros".

Jogar no início do Mineirão é uma recordação especial: "o campo era novo, a torcida comparecia em massa. O público mínimo era de 35 mil a 40 mil pessoas e nós dificilmente perdíamos".

Os grandes clássicos contra o Atlético também são lembrados pelo craque: "Até hoje, o pessoal ainda pergunta porque eu jogava tanto contra o Atlético , mas contra o Galo a vitória tinha um gosto especial. Na minha família há atleticanos e cruzeirenses.Minha mãe, por exemplo, é atleticana e meu pai, cruzeirense. Na semana de clássico, o clima sempre era muito bom. Mas, graças a Deus, sempre marquei gols no Galo".

Os duelos com o lateral atleticano Cincunnegui também têm um lugar especial na vida de Natal: "Antes, quem me marcava era o Warley. Ele tinha muita habilidade, mas era lento e eu fazia a festa. Aí, contrataram o Cincunnegui numa quarta feira para uma decisão de título no domingo. Durante 85 minutos não peguei na bola, pois ele me dava socos e pontapés. Mas, quando ele se descuidou, enfiei uma bola por baixo de suas pernas e toquei para trás para o Tostão marcar. a partir daí travamos grandes duelos".


Nelinho
Manoel de Mattos Cabral. Lateral direito e Técnico. Nasceu no Rio de Janeiro, em 26 de julho de 1950. Veio do Clube do Remo do Pará para o Cruzeiro. Jovem e ainda com saudades de sua cidade teve o apoio de Roberto Batata no Cruzeiro. Nelinho morava no Hotel Ipê e todas as noites saía com Batata.Quando mudou-se para o Hotel Esplanada passou a receber caronas para o treino do Ponta-Direita.

Batata era como um irmão para Nelinho. Mas era no campo mesmo que ambos se entendiam. Uma jogada entre ambos ajudou o clube a estraçalhar os adversários e conquistar o tetra campeonato mineiro de 72 a 75. Nelinho lançava Batata pela direita, que saía em diagonal nas costas do lateral, e ficava em frente ao zagueiro.Aí,era só passar pelo adversário e estar na cara do gol ou cruzar para area.

Para um jogador de defesa, Nelinho foi seguramente o mais eficiente e moderno lateral direito do futebol brasileiro em todos os tempos.Se era ótimo em sua missão de marcar,era perfeito e rápido para sair da defesa para o ataque,em combinações táticas com os companheiros,até surgir próximo à grande área para despachar seus "canhões"contra o gol adversário ou para efetuar cruzamentos perfeitos.

Clubes: Começou no Juvenil do Bonsucesso-RJ. Jogou ainda no América-RJ, Setubal(Portugal), Anzoategui(Venezuela) e Clube do Remo, do Pará, veio para o Cruzeiro.

Títulos: Campeão mineiro pelo Cruzeiro em 73/74/75 e 77;campeão da taça Minas Gerais pelo Cruzeiro em 73/75/79;vice-campeão brasileiro pelo Cruzeiro em 74 e 75;campeão da copa Libertadores da América em 76;vice-campeão mundial interclubes em 76 e vice-campeão da libertadores em 77.

Prêmios: Bola de Prata da Revista Placar em 1975, 1980.Seleção Brasileira: disputou as Copas do Mundo de 1974 e 1978
Marcou 103 Gols pelo Cruzeiro.


Palhinha
Vanderley Eustáquio Oliveira. Atacante e Técnico. Nasceu em Belo Horizonte, em 11 de junho de 1950. Começou sua carreira no Barreiro, aos 10 anos. Foi descoberto pelo treinador, Lincoln Alves, do futebol de salão do Cruzeiro, aos 14 anos, onde passou a jogar como ala esquerdo. No ano seguinte, foi jogar no juvenil de campo e aos 18 anos, estreou nos profissionais. Achava complicado disputar posição com fenômenos do futebol como Dirceu Lopes, Tostão e Evaldo. Foi, na época, um reserva de luxo, um tapa-buraco do time.

Após a venda de Tostão para o Vasco, em 1972, passou a ser o titular do time. Conciliava a velocidade com ainteligência. Era um artilheiro, que a base de valentia, furava as defesas adversárias.

Destacou-se na campanha do título da Taça Libertadores de 1976, quando marcou 13 gols tornando-se até hoje o maior artilheiro brasileiro em uma só Libertadores.

Em 1977, foi vendido ao Corinthians por 1 milhão de dólares na maior transação do futebol brasileiro naépoca. Quando encerrou a carreira de jogador de futebol em 1985, numa rápida passagem pelo América, passou a ser técnico do time e iniciar esta nova carreira. Como técnico do Cruzeiro dirigiu o time em 20 jogos, em 1994.


Clubes: Cruzeiro (65 a 77 e 83/84); Corinthians (77 a 79); Atlético (80); Santos (81); Vasco (82);América (85)Títulos no Fut. de Salão: Campeão da Cidade Infantil de Fut Sal 65, pelo Cruzeiro, quandomarcou 10 gols em 10 jogos
Títulos no Cruzeiro: Libertadores 76; Mineiro em 68, 69, 72, 73, 74, 75, 84; Mineiro de Aspirantes 67; Mineiro Juvenil de 66/67Títulos em outros clubes: Paulista 77, 79 (Corinthians); Mineiro 80 (Atlético); Carioca 82 (Vasco)Prêmios: Bola de Prata da Revista Placar em 1975. Técnico: América (85); Atlético (87); Rio Branco-MG (88).


Pedro Paulo
Determinado, valente, raçudo, incasável. Assim era Pedro Paulo, integrante da estupenda máquina de futebol estrelada que encantou o Brasil nos anos 60 e acabou provocando até mesmo uma reestruturação no futebol brasileiro em razão da conquista pelo Cruzeiroda Taça Brasil de 66 e do surgimento do Mineirão. Sempre simpático e solícito, Pedro Paulo jogou 11 anos no Cruzeiro, tempo em que conquistou uma coleção de títulos e se consagrou como o melhorde sua posiçãono futebol Mineiro, naquela época.

Uma comprovação de suas qualidades, marcador implacável e jogador que exibia excepcional vigor físico, está nos números de sua carreira, pois além de títulos, ele contabilizou 387 partidas como titular do Cruzeiro.

A carreira de Pedro Paulo no Cruzeiro começouem 1963 no juvenil estrelado, naquele mesmo ano jogou Pedro disputou seu primeiro jogo como titular, tinha 17 anos.

As glórias vieram no início de 1964, quando Pedro Paulo integrava o brilhante juvenil do Cruzeiro, campeão Mineiro invicto. Uma equipe que possuia também dois futuros craques : Natal e Dirceu Lopes.O diretor de futebol juvenil de 1964, Edvaldo Rocha, revela como Pedro Paulo mudou de posição: "Quando o Pedro Paulo subiu para o profissional, o Marão o deslocou para a lateral direita. Confesso que fique meio temeroso, mas deu tudo certo e ele brilhou".Pedro Paulo foi mais um craque do passado recente do Cruzeiro que ajudou o clube a se transformar numa potência do futebol Brasileiro.


Piazza
Poucos jogadores do Cruzeiro foram tão discutidos - e tão eficientes - como Wílson Piazza. Contratado em 1963 para armar o grande time que estava sendo preparado para conquistar o Mineirão depois de sua inauguração, ele talvez tenha sido a escolha mais feliz do ex-presidente Felício Brandi. Piazza entrou como uma luva no time. Lutador e dono de uma incrível visão de jogo, ele sempre se sacrificava para que o Cruzeiro alcançasse uma vitória importante. "Levo uma bola por baixo das pernas, se isso servir para um companheiro ganhar a jogada mais atrás, explicava ele.

Humilde , Piazza nunca se preocupou em ser o melhor em campo - e quase sempre era, pelo menos para o técnico e os jogadores. Não fazia jogada de efeito, mas estava sempre onde a bola ia cair. Tentar dribá-lo era um fracasso garantido para os atacantes.

Sua importância foi tão grande como a de Tostão para a conquista da Taça Brasil e o pentacampeonato mineiro. E mais ainda para ganhar a Taça Libertadores da América, em 1976, quando o Cruzeiro já não tinha Tostão.

Parou de jogar em 1979 por causa de uma sinfisite púbica, mas até hoje a torcida lembra dele como o maior volante que vestiu a camisa azul em todos os tempos.


Procópio Cardoso
Revelação do Renascença, Procópio foi contratado em 1959. Em sua primeira passagem formou a zaga com Nilsinho, Massinha e Cléver nas conquistas dos Estaduais de 1959 e 1960.

Foi para o São Paulo em 1961, mas voltou ao clube em 1966, durante a disputa da Taça Brasil, quando fez dupla com William na conquista do título nacional.

Num jogo contra o Santos, pela Taça de Prata de 1968, foi atingido por Pelé e rompeu o tendão do joelho. A contusão aconteceu na melhor fase da carreira, quando aguardava a convocação para a Seleção. Depois, afastou-se dos campos por cinco anos, período em que foi supervisor e técnico do juvenil do clube.

Em 1973 Procópio retornou ao futebol. Com técnica e espírito de liderança, contribuiu para levar o jovem time do Cruzeiro às finais do Brasileiro de 1973 e 1974. É tido como o melhor beque da história azul.

Nome: Procópio Cardoso Neto
Nascimento: 21/03/1939
Local: Salinas - MG

Quando Jogou: 1959 - 1961 e 1966 - 1973 e 1974.
Títulos: Taça Brasil em 1966; Campeonato Mineiro em 1959, 1960, 1967, 1968 e 1973.


Raul
Ele chegou a Belo Horizonte como um desconhecido qualquer. Nos primeiros meses, foi reserva de Tonho - um veterano. Quando entrou, não saiu mais. Certa vez, sem camisa de goleiro para vestir, pegou emprestado um blusão amarelo do lateral Neco e entrou com ele em campo, para espanto de todos. Mas fez sucesso e, desde então, acabou a monotonia das camisas cinza, pretas ou brancas.

Depois disso, batou mostrar sua competência. Rapidamente, Raul tornou-se o maior ídolo do público feminino no Brasil. As mulheres passaram a ir ao Mineirão, coisa que nunca tinham feito antes, enquanto os homens deliravam com suas defesas sensacionais.


Raul Guilherme Plassman foi com certeza o ídolo que mais tempo viveu nos corações cruzeirenses. Promoveu transformações na rotina do futebol por sua sinceridade nas entrevistas. apontando falhas e erros do time ou até mesmo confessando: "Detesto futebol".

Não parecia. Raul era dedicado e bom profissional. E por sua causa as torcidas organizadas acrescentram, ao azul e branco da bandeira, o amarelo de sua camisa. Até hoje as cores do Cruzeiro são essas três. Raul chgou à Seleção Brasileira e foi o jogador que mais títulos importantes, conquistou no futebol mineiro: dez vezes campeão estadual, campeão sul - americano, e várias vezes vice-campeão brasileiro. Em 1978, foi vendido ao Flamengo e acrescentou a sua coleção os títulos de bicampeão brasileiro, bicampeão sul - americano e campeão do mundo.
Apesar de suas qualidades, Raul nunca disputou uma Copa do Mundo - a grande frustação, que confessou em sua despedida, a 21 de dezembro de 1983, no Maracanã. Nesse dia, aos 38 anos, vestiu pela última vez a camisa amarela. Depois tirou a do corpo e a devolveu ao mesmo Neco.


Roberto Batata
Roberto Monteiro. Ponta direita. Nasceu a 24 de julho de 1949. Começou sua carreira jogando no time amador do Banco Real (Bancoda Lavoura), de onde se transferiu para as categorias de base do Cruzeiro. Em 1971,o ponta Natal era vendido ao Corinthians, e Batata, apelido dado pelo ex-treinador,João Crispim, por gostar de batata frita, ocupou posição. Teve uma carreira curta jogando de 71 a 76, marcando 109 gols em 281 partidas pelo Cruzeiro. Sua estréia aconteceu em Montevidéu, num amistoso contra o Peñarol, em 20 de janeiro de 1971. O Cruzeiro perdeu o jogopor 1 a 0, mas ganhou um novo fenômeno na ponta direita. Jogador rápido e objetivo, driblava com facilidade e chutava forte a gol. Além disso, caracterizava-se pela boa impulsão.

Em maio de 1976, o Cruzeiro começava sua arrancada rumo a conquista da Taça Libertadores. Havia vencido o internacional, Olimpia e Cerro Portenho. Na 2a fase, estreava com uma goleada de 4 a 0, frente aoAlianza, em Lima, no Peru. Batata foi escolhido pela imprensa peruana como o melhor em campo, juntamente com Nelinho, e por isso, após o jogo, foi convidado por torcedores para conhecer a cidade. Segundo o lateral Nelinho, que o considerava seu melhor amigo, por causa do passeio ambos chegaram atrasados ao aeroporto e levaram uma bronca do técnico, Zezé Moreira. Mas, não houve tempo, para mais nenhuma homenagem de torcedores a suas belas apresentações.

No dia 13 de maio de 1976, dois dias após o jogo em Lima, Roberto faleceu num acidente de automóvel, no Km 182, da rodovia Fernão Dias. O jogador ia visitar sua esposa, Denize, e o seu filho, Leonardo, então com 11 meses, em Três Corações, quando envolveu-se em um acidente com o seu Chevette. Sua morte comoveu o país e na partida de volta contra o mesmo Alianza, no Mineirão, o Cruzeiro, venceu por 7 a 1. Exatamente, o numero de sua camisa. Depois da dramática final de 1976, quando numa “molecagem” de Joãozinho, o Cruzeiro arrebatou o título, os jogadores rezaram em campo e dedicaram o título ao ex-companheiro.

Clubes: Cruzeiro
Títulos: Mineiro de Juvenis de 1968; Mineiro 72/73/74/75; Libertadores 76.Marcou 110 Gols pelo Cruzeiro.


Tostão
Há um menino no Conjunto Habitacional do IAPI que joga entre os homens e arrebenta, disseram a Lincoln Alves, que há mais de trinta anos trabalha como descobridor de talentos para o Cruzeiro.

Ele foi lá para ver. E ficou deslumbrado: o garotinho era mesmo cobra. Ao se dirigir à casa dele e pedir autorização ao api do garoto para levá-lo ao Cruzeiro, Lincoln indicava para a glória um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos: Eduardo Gonçalves de Andrade, tão miudinho que recebera do pessoal do IAPI o apelido de Tostão.

Depois de uma rápida passagem pelo América mineiro, o clube para o qual seu pai torcia, ele voltou para o Cruzeiro e direto para o futebol profissional. Quando o Mineirão foi inaugurado, dia 5 de setembro de 1965, já era o comandante da equipe que acabou deslumbrando o Brasil com seu futebol revolucionário. No ano seguinte, ele estava em Liverpool disputando a Copa da Inglaterra ao lado de Pelé e Garrincha - mas foi meses depois que se consagrou definitivamente ao conquistar com Dirceu Lopes, Raul & Cia. a VII Taça Brasil (Campeonato Brasileiro), derrotando na finalíssima (por 6x2 e 3x2) o Santos de Pelé , Gilmar e Zito.

Na Seleção, Tostão firmou-se como titular absoluto ao lado do Rei a partir de 1968. Culto, inteligente, profissional exemplar, amante da vida em família, timido e estudioso, tinha também um forte carisma. Com opiniões e posições políticas sempre sensatas - e absolutamente a favor da liberdade e da democracia - foi, em campo, o principal jogador na conquista do pentacampeonato mineiro, título que o Cruzeiro sempre perseguira.

Mais em seguida começou a viver o drama que abalou sua vida profissional e particular. Nos preparativos para a Copa do Mundo de 1970, levou uma bolada no olho esquerdo durante um amistoso contra a equipe do Millonarios de Bogotá, na Colômbia. A retina descolou-se. Examinado meses depois, teve de ser operado nos Estados Unidos. Zagalo, o técnico que substituiu João Saldanha, e o médico Lídio de Toledo não acreditavam que ele pudesse voltar a jogar. Mas seu oftalmologista garantiu que poderia e, em 1970, Tostão comandou o ataque do Brasil que deslumbrou o mundo no México.

Seu futebol fino, de toques geniais, passes perfeitos, e uma colocação em campo que desorientava qualquer macardor, tornou-o um dos maiores jogadores do mundo, exaltado por celebridades como Philip Rising ( da revista World Soccer), Pedro Escartin, Puskas, Stanley Mathews, Di Stefano etc. Foi personagem de um filme - Tostão, a Moeda de Ouro - e assunto de livros na Inglaterra, Japão, França, Espanha, México, Alemanha e Itália.

Em 1972, ele começou a se desligar do Cruzeiro, após uma excursão pelo mundo. Recusou-se a jogar sob as ordens do truculento técnico Iustrich, recém - contratado, e acabou sendo vendido ao Vasco da Gama por inacerditáveis 2,5 milhões de cruzeiros - um recorde na época.Um ano mais tarde, o drama de Tostão voltou a se agravar.

Seu olho esquerdo não estava bem e, ao ser examinado novamente nos Estados Unidos, recebeu a recomendação de parar de jogar futebol, pois corria o risco de ficar cego. E, aos 27 anos, ele abandonou os campos que tanto amava.


Zé Carlos
Um autêntico cruzeirense
Por Luiz Ricardo Fini, especial para a GE Net

Apontado como o "carregador de piano" do Cruzeiro por mais de uma década, José Carlos Bernardo, o Zé Carlos, fez parte de duas gerações vitoriosas do time celeste. Entre os anos de 1965 e 1977, o volante entrou em campo ao lado de craques como Dirceu Lopes, Tostão, Jairzinho, Palhinha e Joãozinho, mas não teve seus méritos ofuscados e conseguiu colocar seu nome na galeria de ídolos da torcida celeste.

Zé Carlos defendeu o Cruzeiro em 628 jogos, sendo até hoje o atleta que mais vestiu a camisa da Raposa. Apesar de ser um volante, o jogador primava pela técnica e não escondia sua admiração pelo meia Ademir da Guia.


"Eu me preocupava com a técnica porque é o que tem de prevalecer em qualquer jogador de meio-campo. Se eu errasse mais de três passes em um jogo, voltava para casa com raiva de mim mesmo, até se ganhasse prêmios e fosse elogiado por colegas", comenta Zé Carlos.
No Cruzeiro, o jogador formou ao lado de Dirceu Lopes, Tostão e Piazza o "quadrado mágico", meio-campo responsável pela conquista de muitos títulos do clube mineiro na década de 60. A genialidade do quarteto era explicada pelo então técnico da equipe, Aírton Moreira, como o resultado da "juventude e entusiasmo de meninos que querem mostrar seu futebol ao Brasil".

Em 1966, Zé Carlos fazia parte do grupo que surpreendeu o país ao vencer de forma incontestável o Santos de Pelé na final da Taça Brasil. O título mais importante de sua carreira, no entanto, foi conquistado bem mais tarde, em 30 de julho de 1976, quando participou da vitória por 3 a 2 sobre o River Plate na final da Copa Libertadores da América, no estádio Nacional, em Santiago (Chile).

Também merecem destaque no currículo do ex-volante os dez títulos mineiros que conquistou (65, 66, 67, 68, 69, 72, 73, 74, 75 e 77) com a camisa do Cruzeiro.

Nascido no dia 28 de abril de 1945, em Juiz de Fora (MG), Zé Carlos assinou seu primeiro contrato profissional em 1962, em um clube de sua cidade natal. Em 1977, aos 32 anos, ele já era considerado um veterano no Cruzeiro e, assim, foi negociado com o Guarani. A transferência fez bem ao jogador, que foi um dos destaques do time de Campinas na conquista do Campeonato Brasileiro de 1978. Além do Bugre, Zé Carlos também atuou no Botafogo, Bahia e Uberaba, entre outros clubes.

Em 1983, quando estava no Nova Lima (MG), o volante decidiu parar de jogar futebol para seguir a carreira de técnico.

Assinou contrato para treinar o Guarani em janeiro de 1984, mas ficou só até junho, quando foi substituído por Carlos Alberto Silva. Logo depois, Zé Carlos teve uma experiência diferente ao ir para o Mogi Mirim para ser jogador e técnico da equipe.

"Foi horrível. Em um jogo, estávamos perdendo por 2 a 0 e resolvi reunir o time no meio-campo na hora do intervalo. Falei que precisaria tirar todo mundo se quisesse ganhar. Assim, comecei tirando eu mesmo do time. Não dava para ver o jogo de dentro de campo", recorda Zé Carlos, que ficou seis meses no Mogi.
Antes de encerrar sua carreira de técnico, em 1996, ele também comandou clubes como Botafogo, Avaí e Criciúma, além dos árabes El Rahed e Jabalen. "A experiência de ser treinador foi boa, mas preferi parar porque não gostava de fazer lobby", afirmou o ex-volante.

Desde janeiro de 2004, Zé Carlos é diretor do clube da cidade de Sarzedo (MG) e assessor da Secretaria dos Esportes de Belo Horizonte.


JOGADORES HISTÓRICOS

1960- 1970
Fontana (Zagueiro), Perfumo - ARG (Zagueiro), Revétria – PAR (Atacante), Eduardo “Rabo de vaca” (Meia).

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